quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Campanha Outubro Rosa - Todos na luta contra o câncer de mama



A proximidade do mês de outubro ganhou mais um motivo para ser lembrado. Muitas pessoas já devem ter se atentando que neste mês alguns locais de comércio, turismo, entre outros, ganham um charme especial: a iluminação rosa. O nome do movimento, “Outubro Rosa”, remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Esta cor feminina entra em destaque como um alerta. De acordo com o INCA - Instituto Nacional de Câncer - É o tipo de câncer mais frequente na mulher brasileira e segundo tipo mais frequente no mundo.

Com esta campanha, espera-se que com as ações promovidas, principalmente pelo Ministério da Saúde, se estimule a prevenção pelo diagnóstico precoce.

O que é câncer de mama?

Nesta doença, ocorre um desenvolvimento anormal das células da mama, que se multiplicam repetidamente até formarem um tumor maligno.

Como a mulher pode perceber a doença?

O sintoma do câncer de mama mais fácil de ser percebido pela mulher é um caroço no seio, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar parecida com uma casca de laranja; também podem aparecer pequenos caroços embaixo do braço. Deve-se lembrar que nem todo caroço é um câncer de mama, por isso é importante consultar um profissional de saúde.

Como descobrir a doença mais cedo?

Toda mulher com 40 anos ou mais de idade deve procurar um ambulatório, centro ou posto de saúde para realizar o exame clínico das mamas anualmente, além disso, toda mulher, entre 50 e 69 anos deve fazer pelo menos uma mamografia a cada dois anos. O serviço de saúde deve ser procurado mesmo que não haja sintomas.

O que é o exame clínico das mamas?

É o exame das mamas realizado por médico ou enfermeiro treinado para essa atividade. Neste exame poderão ser identificadas alterações nas mesmas. Se for necessário, será indicado um exame mais específico, como a mamografia.

O que é mamografia?

É um exame muito simples que consiste em um raio-X da mama e permite descobrir o câncer quando o tumor ainda é bem pequeno, na fase inicial da doença. É realizada em um aparelho apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.

O que pode aumentar o risco de ter câncer de mama?

Se uma pessoa da família – principalmente a mãe, irmã ou filha – teve essa doença antes dos 50 anos de idade, a mulher tem mais chances de ter um câncer de mama. Quem já teve câncer em uma das mamas ou câncer de ovário, em qualquer idade, também deve ficar atenta. As mulheres com maior risco de ter o câncer de mama devem tomar cuidados especiais, fazendo, a partir dos 35 anos de idade, além do exame clínico das mamas, também a mamografia, uma vez por ano.

Porém, mulheres que não possuem casos na família não podem descartar a possibilidade de desenvolver a doença.

O auto-exame previne a doença?

O exame das mamas realizado pela própria mulher, apalpando os seios, ajuda no conhecimento do próprio corpo, entretanto, esse exame não substitui o exame clínico das mamas realizado por um profissional de saúde treinado. Caso a mulher observe alguma alteração deve procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo de sua residência. Mesmo que não encontre nenhuma alteração no auto-exame, as mamas devem ser examinadas uma vez por ano por um profissional de saúde.

O que mais a mulher pode fazer para se cuidar?

Ter uma alimentação saudável e equilibrada, com frutas, legumes e verduras, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e não fumar. Essas são algumas dicas que podem ajudar na prevenção de várias doenças, inclusive do câncer.




terça-feira, 12 de maio de 2015

A saúde da mulher moderna





Mãe, esposa, profissional, cidadã... Mulher. Os múltiplos papéis que esta mulher moderna exerce nestes últimos anos, sem dúvidas, faz parte de uma enorme conquista: a independência. Elas se preocupam com a beleza, com as finanças, com os filhos ou a falta deles – já um existe um grande movimento de adiamento da maternidade –, com o companheiro, entre outros. Muitas vezes ela toma o papel de chefe da família e, assim, adquire ainda muito mais responsabilidades. E como ela está administrando tudo isso? O “dar conta” de tudo está cada vez mais afetando, principalmente, a saúde delas. 

Cada dia mais estressadas, fadigadas pelas pressões diárias, sua saúde acaba por ficar em segundo plano e elas se esquecem de dar a devida atenção aos sinais de alerta do seu corpo. De acordo com um estudo sobre mortalidade no Brasil, publicado em 2006, mostrou que as principais causas de morte na população feminina brasileira entre 10-49 anos foram: cânceres (24,4%), doenças circulatórias (19,6%) e causas externas (15,5%). Entre as causas externas de morte encontram-se os homicídios e os acidentes de trânsito.

Desta forma, podemos perceber que a incorporação destas mulheres no mercado de trabalho, antes predominantemente ocupadas pelos homens, como o trabalho burocrático, por exemplo, fez com que hábitos como o sedentarismo, dieta inadequada, consumo de álcool e cigarro, poucas horas de sono, entre outros, somassem aos riscos exclusivos à população feminina (como os relacionados à gravidez e parto). Além disso, muitas mulheres mantém uma atividade laboral fora do lar sem, contudo, dispensar os cuidados com a família e as tarefas domésticas. Esta sobrecarga de funções acarreta um aumento do risco de agravos à saúde.

A soma de todos estes fatores também leva a um problema cada vez mais comum na vida delas: os transtornos emocionais e mentais. A pressão exercida, muitas vezes, pela mídia, impondo padrões inalcançáveis de beleza, contribui para a sobrecarga emocional. Elas tem de serem perfeitas e bem-sucedidas, e sabemos que não há como atingirmos perfeição e muito menos precisamos disso para sermos felizes.


Como me prevenir das doenças?


Tudo começa no início da vida sexual, em que se tem uma atenção especial para as doenças sexualmente transmissíveis, infecção pelo HPV, que está relacionado ao câncer de colo de útero, e o câncer de mama. Também, além de se ter atenção na saúde sexual e reprodutiva, é importante consultar um clínico geral ou cardiologista para exames de rotina complementares, como hemograma, glicemia, colesterol, triglicérides, ácido úrico e urina. Tudo vai depender da necessidade de saúde de cada pessoa, mas mesmo não se tendo nenhum problema, a rotina preventiva é fundamental.

Já na maturidade, além dos cuidados já citados, devem-se atentar as modificações no organismo causadas pelo climatério e menopausa, prevenindo-se contra o envelhecimento precoce e a osteoporose pelas mudanças hormonais, por exemplo.


Como viver de forma mais saudável?


Devem ser adotadas medidas para alívio do estresse do dia-a-dia e melhorar os cuidados com a saúde, como ter uma alimentação mais saudável e praticar atividades físicas. A atividade física, em especial, contribui para manutenção do peso saudável, prevenção de doenças e alívio do estresse, lembrando sempre que o acompanhamento do profissional competente nestas atividades é imprescindível.

Evitar hábitos nocivos é fundamental. Como já dito anteriormente, está cada vez mais comum mulheres adotarem o fumo e o etilismo, deixando-a mais vulnerável aos problemas cardiovasculares e diversos tipos de cânceres.

Assim, a prevenção de doenças, que são as principais causas de mortalidade da mulher, melhora este panorama e garante um futuro melhor e com mais saúde. Desde o colesterol e a glicemia controlados, garantindo uma prevenção cardiovascular, passando por mamografia prevenindo o câncer de mama, exame “preventivo” ou “papanicolau” prevenindo o câncer de colo de útero, até a dosagem de cálcio, vitamina D e densitometria óssea determinando os cuidados necessários à saúde óssea.

E um dos pontos mais importantes: reconheça suas limitações. Estes estereótipos criados de “supermulher”, que assume uma demanda exacerbada de compromissos, são incompatíveis com uma vida saudável. O equilíbrio é necessário sempre. Não estamos falando de abandonar sonhos e realizações, mas sim de prioridades. No momento que a sua rotina te adoece, ela precisa ser adequada em favor de sua saúde e felicidade.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O aborto e suas consequências




Em definição, de acordo com o Ministério da Saúde, considera-se abortamento a interrupção da gravidez até 22 semanas ou, se a idade gestacional for desconhecida, com o produto da concepção pesando menos de 500 gramas ou medindo menos de 16 cm.

Dada a complexidade do assunto e suas várias vertentes, vamos nos ater, aqui, ao aborto provocado. O objetivo não será polemizar ou abrir discussões desnecessárias, mas sim promover uma reflexão sobre o assunto, assim como possibilitar um maior entendimento sobre este problema. E utilizo a palavra “problema” propositalmente, pois realizar um aborto é uma escolha dotada de inúmeras consequências, como veremos a seguir.

“Antes que eu te formasse no ventre, te conheci (...)” Jeremias 1:5

Esta é uma de muitas citações bíblicas sobre o tema concepção e aborto. Com este respaldo, podemos entender que Deus, com todo Seu amor e cuidado por nós, tem um plano para cada um desde a nossa criação e até mesmo antes da concepção. Assim, não querendo neste momento entrar no mérito de discussões sobre feminismo versus machismo, teríamos nós o direito de interferir nos planos de Deus?

Vamos então partir de outro ponto de vista muito requisitado pelos defensores dos direitos das mulheres, no que tange ao direito sobre seu próprio corpo: o feto sendo uma vida, um ser dotado de personalidade e destino próprios; como podemos vê-lo apenas como extensão da mãe? Ele é um ser independente, portanto esta não poderia ter o direito de lhe tirar a vida, assim sendo, este ato conferiria num assassinato.

As justificativas usadas pelo movimento atual a favor da prática legal do aborto - salvo as que já são respaldadas por lei, como situação de estupro ou de risco de morte da mulher - são muitas, como a alta taxa de mortalidade de mulheres que recorreram a locais clandestinos para a prática. De fato esta é uma triste realidade. Muitas mulheres, principalmente adolescentes que mais procuram estes “serviços”, sofrem com sequelas e até mesmo o falecimento. Este discurso usado tem de ser analisado, pois será mesmo que o causador deste desfecho é a não legalização do aborto no Brasil? Posso lhes afirmar que, como profissional de saúde e mulher, o problema vai mais além. Legalizar seria um paliativo de mau gosto, pois o problema é de toda uma estrutura errada dos nossos serviços de saúde e da base familiar existente. Infelizmente a banalização do ato sexual, a desinformação e a desestruturação de todo o sistema fez com que houvesse um colapso na vida sexual e reprodutiva de homens e mulheres, trazendo como consequências o aumento da disseminação das doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez não desejada. Uma política eficaz de planejamento familiar, assim como o aconselhamento sobre o assunto, tanto pela parte familiar como na sociedade, seriam de grande valia para melhorar esta realidade.

Consequências psicológicas

As reações pós-aborto nas mulheres inicia-se, em geral, com um sentimento positivo de alívio, pois estavam sob pressão antes de realizá-lo. Porém, pouco depois, em geral, de acordo com algumas pesquisas, após a primeira semana já se manifestam reações negativas, como o sentimento de culpa, distúrbios psiquiátricos e no sono, muitas vezes com necessidade de uso de medicamentos psicotrópicos prescritos. 

Consequências físicas

As técnicas utilizadas para o abortamento são várias, com possibilidade de consequências desastrosas, e quando falamos do provocado clandestinamente estas são ainda mais graves, com grande risco de morte da mãe. Má higiene, técnicas erradas, risco de infecção, sangramentos, perdas de órgãos reprodutivos, perfurações de útero, entre outros, são alguns dos problemas que podem ocorrer.

Contudo, podemos evidenciar que o ato de abortar vai além de questões culturais e políticas, e que tentar consertar um ato impensado através da morte de um ser inocente não é a melhor opção, visto os danos e as marcas na vida dos seres envolvidos. Opte pela vida.


domingo, 30 de novembro de 2014

Parto normal ou cesariana: o que escolher?





A descoberta de uma gravidez envolve um misto de emoções e preocupações, desde o que se pode ou não pode fazer estando grávida, a decoração do quarto, o chá de bebê, e... O parto. Assustador para algumas mulheres, a ideia de ter um bebê envolve muitas dúvidas e medos, e o maior responsável por todo este estado de tensão que a futura mamãe sofre vem pela falta de informação, ou pelo excesso de opiniões erradas que se ouve de pessoas mais “experientes”. Enfim, todos querem ajudar neste momento, então vamos tentar esclarecer este dilema. Parto normal ou cesárea, o que será melhor para mim?

Estamos passando por um movimento em relação à forma de nascer que atinge diversas partes do mundo. Durante anos o parto foi visto como um procedimento médico, cheio de intervenções, incluindo anestesias, medicações, cortes, internação entre outros procedimentos hospitalares. O que se está discutindo é até que ponto esta forma hospitalar e intervencionista é necessária; assim, o parto está voltando a ser encarado como deve ser: um processo normal e fisiológico. Claro que existem situações de risco onde se fará uso de todo aparato para que o nascimento aconteça preservando a vida da mãe e do bebê; portanto a avaliação da gravidez por um profissional de saúde será de grande importância nesta escolha.

Cesariana

É um procedimento cirúrgico realizado para alívio de condições maternas ou fetais, quando há riscos para a mãe, o feto, ou ambos, durante o trabalho de parto e em algumas situações específicas. Quando realizado respeitando as necessidades dos envolvidos, ele é de grande importância na manutenção da vida e saúde da mãe e do feto. Para este procedimento há indicações absolutas e relativas, que vão depender da avaliação do profissional que estará fazendo seu acompanhamento. Em relação a isso, muitas vezes há indicações desnecessárias, como por exemplo, em situações de feto grande, cesáreas anteriores, circular de cordão, entre outras. Estas devem ser avaliadas, pois dependendo do grau do problema a realização da cesariana só aumentará os riscos no nascimento. Vale ressaltar que cirurgias cesarianas não são procedimentos isentos de complicações, tanto para a mãe, quanto para o bebê, por se tratar de uma cirurgia.

Como complicações deste procedimento podemos citar: 

· Para a mãe: hemorragias, infecções, embolia pulmonar e reações indesejáveis à anestesia. 

· Para o bebê: dificuldade respiratória e prematuridade provocada quando programada, por ser agendada para antes do tempo normal de nascimento.

· Para os dois: interfere no estabelecimento do vínculo e início da amamentação.

Segundo últimos dados da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), dos mais de 2,9 milhões de partos que acontecem no Brasil, 521 mil são realizados na rede privada. Apesar de a incidência de cesariana ainda ser alta no Sistema Único de Saúde, que é de 40%, é na rede privada que a situação é mais crítica: 84,6%. A média do país é de 55,6%. A taxa de cesariana recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 15%. Estas altas taxas de cesariana, principalmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil, são preocupantes, e é considerado um grave problema de saúde pública.

Algumas pesquisas mostram ainda que o conceito de que a principal causa do aumento da taxa de cesárea é o respeito ao desejo das mulheres, não tem sustentação na opinião declarada pelas mulheres. Uma melhor comunicação entre médicos e mulheres grávidas talvez possa contribuir para a melhoria da situação atual. O que se observa é que por muitos anos a cesariana tem sido incentivada pelos próprios profissionais médicos apenas pela conveniência de ser mais rápido, além do maior domínio da técnica da cirurgia cesariana em relação às dificuldades que podem aparecer num parto normal. Outro fator que vem ocorrendo é a pouca valorização da autonomia da mulher e da família na tomada de decisão sobre o parto.

A mulher e a família como foco de atenção

A assistência ao nascimento não deve ser voltada para satisfazer os interesses do serviço e da equipe, mas sim aos interesses da mulher e sua família. No momento de escolha de que forma seu filho irá nascer, a mulher tem sido desencorajada a escolher o parto normal. Há diversos medos e mitos acerca deste tema, como a dor, por exemplo. Outro fator é o preconceito, pois por muitos anos o parto normal foi visto como falta de escolha, e que só mulheres menos favorecidas financeiramente teriam esta experiência. Mas contrário a isto, há um movimento a favor desta prática, liderada por países desenvolvidos e pessoas influentes, que vem adquirindo conhecimento sobre os benefícios do parto natural e expondo suas experiências na mídia, desmistificando esta afirmação de que parto bom é o agendado e programado, respeitando assim a natureza e fisiologia que este momento merece. 

A mulher e a família devem receber apoio constante da equipe de saúde, e suas angústias e questionamentos devem ser esclarecidos com uma linguagem clara e acessível. Todos os procedimentos a serem realizados devem ser explicados e a mulher deve sentir que os mesmos são realmente necessários e que poderão contribuir para um bom resultado tanto para ela quanto para o seu bebê.

O parto normal – e natural

Neste, quando realizado de acordo com o que é estipulado pelo Ministério da Saúde, tudo começa pelo local do nascimento, que não pode ser um ambiente hostil, com rotinas rígidas; pode ser num hospital, casa de parto ou em casa, estes últimos se de baixo risco, sempre que ali se tenham os profissionais habilitados para o realizarem – enfermeiro obstetra ou cirurgião obstetra – entre outros profissionais que acompanharão todo o processo. A mulher terá o direito de expressar livremente seus sentimentos e necessidades. Ela deve se sentir segura e protegida, e ter a presença de uma pessoa ao seu lado, qualquer um que ela escolher, de acordo com a lei nº 11.108, de sete de abril de 2005, em que os serviços de saúde ficam obrigados a permitir a presença, junto à gestante, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. 

A mulher tem controle do seu corpo e será a protagonista deste momento. Será realizado com o mínimo de intervenções possíveis. Durante o trabalho de parto, a mulher é orientada em realizar as técnicas de alívio da dor, e ela tem a liberdade de se movimentar e encontrar as posições que lhe ajudem a ficar mais confortável.

Também se evita a separação mãe-filho por qualquer momento desde o nascimento até a alta, e é incentivada a amamentação na primeira hora de vida do bebê, assim, estimulando ainda mais este vínculo.

Contudo, o principal é que a escolha seja legítima, embasada em verdades e respeitando a autonomia da mulher e a necessidade do momento. O nascimento deve ser humanizado, que mesmo na necessidade de uma cirurgia cesariana deve ser respeitado, com tratamento digno para mãe, filho e toda a família, visando a saúde e bem estar de todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Tenho uma anomalia uterina, o que fazer?



Bom, para entendermos melhor sobre o assunto, vou aqui explicar um pouco de como é o nosso útero.

Como ele é?



É um órgão do sistema reprodutor feminino, é oco e tem um formato de pêra invertida, em que a parte mais larga e superior chamamos de fundo de útero, que se conecta com as tubas uterinas na sua parte superior, e a parte inferior e mais estreita chamamos de colo uterino, que possui um pequeno orifício e se liga a vagina. Ele é formado por várias camadas, em que a parte de dentro é formada pelo endométrio que descama a cada ciclo menstrual, e essa é coberta pelo miométrio, que é a parte muscular. Além dessas temos mais duas camadas recobrindo o útero.

Quais são suas funções?

A sua principal função é receber o embrião, que irá se implantar no endométrio. Assim, o útero irá se preparar para manter as condições ideais para o desenvolvimento do feto até o nascimento. Também será essencial para a expulsão do feto, através de suas contrações.


Existem, porém, mulheres que tem o formato do útero diferente do explicado acima. Muitas vezes elas tem a alteração e não sabem. Vamos entender as principais anomalias uterinas.



Útero bicorno (útero com dois "chifres"): é o mais comum. Em vez de parecer uma pêra invertida, ele tem o formato de um coração, com uma separação no meio na parte de cima. O bebê fica com menos espaço para crescer do que no útero normal. 




Útero unicorno (útero com um "chifre"): O tecido que forma o útero não se desenvolve direito na mulher, e o órgão tem apenas metade do tamanho do normal. Além disso, só há uma tuba uterina, em vez de duas. Apesar disso, na maioria dos casos a mulher tem dois ovários.



Útero duplo ou didelfo: É quando o útero tem duas cavidades internas, sendo que cada uma delas pode levar a um colo do útero e a uma vagina. A mulher pode assim ter duas vaginas. 



Útero septado: a cavidade interna do útero é dividida por uma parede, chamada septo. O septo pode ir só até metade do caminho ou chegar até o colo do útero. 


Também ocorrem mudanças na posição do útero, que quando são pequenas não alteram a fertilidade e não causam nenhum incômodo. 

Entre as anomalias de posição, destacam-se a anteposição e a retroposição, quando o útero se encontra respectivamente mais à frente e mais atrás do que o normal.

Existem também as anomalias da inclinação do útero, em que as mais comuns são a anteversão e a retroversão, quando o eixo do útero se encontra deslocado para frente ou para trás em relação ao eixo da vagina.

Entre as anomalias da flexão do útero, as mais significativas são a anteflexão e a retroflexão, quando o corpo do útero se encontra curvado para frente e para trás, respectivamente, em relação ao colo uterino.



Quais são as causas dessas anomalias?

Pode ter origem congênita como também provocadas por rupturas no momento do parto, traumatismos e infecções.

O que posso ter como consequências?

Mulheres que apresentem alguma dessas anomalias em geral podem não ter sinais ou sintomas. Em outros casos podem apresentar dores em baixo ventre, nas costas, durante as relações sexuais e um maior desconforto no período menstrual. 

Posso ficar infértil?

Em geral a mulher não fica infértil, porém, dependendo da anomalia ela pode apresentar uma dificuldade maior para engravidar, pois há casos em que se há só uma trompa, e como outras em que há um espaço menor para o desenvolvimento do feto.

O importante é manter um acompanhamento ginecológico para se detectar essas alterações antes de uma gravidez. Existem intervenções que podem fazer a mulher ter mais facilidade para engravidar, como tratamentos hormonais, assim como intervenções cirúrgicas, que facilitarão não só a fertilidade como fará a mulher manter uma gestação sem problemas. E em muitos casos, não há necessidade de intervenção alguma, somente um acompanhamento cuidadoso durante o pré-natal.


Portanto, sempre que sentir algo diferente, alguma dor ou sangramento fora do normal, procure seu ginecologista para detectar o que há de errado e tratar da forma correta, evitando futuros transtornos a sua saúde sexual e reprodutiva.


sexta-feira, 25 de julho de 2014

Gravidez na maturidade



Mulheres que esperaram estabilidade na carreira e na família, que tem dificuldades para engravidar, que querem experimentar serem mães novamente, ou que simplesmente querem agora. Esse é o perfil que aumenta cada vez mais, as mulheres que decidem pela primeira vez, ou não, serem mães tardiamente. São mulheres seguras e ansiosas por quererem ter suas vidas completas com a maternidade neste momento da vida. 

Por que hoje é tão comum adiar a maternidade?

Hoje o papel exercido pela mulher na sociedade e dentro de uma família é bem diferente do que antigamente. Assumem muitas vezes o lugar de chefe de família e se comprometem com o sustento do lar, o que acaba por adiar a chegada dos filhos. Este fato, aliado a possibilidade de se utilizar técnicas de reprodução artificial, também são fatores que vem interferindo nesta decisão.

Chamamos de gravidez tardia a que ocorre pela primeira vez ou não a partir de 35 anos. Essas mulheres que engravidam mais tardiamente, em geral, apresentam ótimo estado de saúde, gestações planejadas e desejadas, melhores condições socioeconômicas e muitas vezes optam por reprodução assistida, pela redução da fertilidade devido à idade. Também existe um grupo, entre as gestantes tardias, que foram mães mais cedo e agora decidem reviver a maternidade numa fase da vida mais estabilizada.

Quais são os riscos de uma gravidez tardia?

Estas futuras mães devem se atentar para alguns riscos de uma gravidez tardia. Os riscos começam pelo fato de após os 35 anos ser mais difícil engravidar, pois a mulher tem menos óvulos e é menos fértil, sendo assim, a possibilidade de ter um filho com síndrome de Down ou outras alterações cromossômicas aumentam, por conta do envelhecimento dos óvulos e maior chance de erros na divisão celular. Por esse mesmo motivo também há maior probabilidade de abortos espontâneos. Já durante a evolução da gravidez, é maior o risco de desenvolver hipertensão, diabetes ou de apresentar uma doença já adquirida ao longo da vida.

Que cuidados esta futura mãe deve ter?

A gravidez é um processo fisiológico particular, mas que não tem nada de anormal. Toda gestante, engravidando em qualquer faixa etária, tem que comparecer as consultas de pré-natal corretamente e seguir as recomendações do seu obstetra.

O que ocorre numa gravidez tardia é que por conta da maior possibilidade de riscos na gravidez, o ideal é que ela seja bem planejada, e que antes de engravidar a mulher faça uma revisão de sua saúde, com exames de rotina e uma revisão ginecológica. Também é recomendada a ingestão de ácido fólico, vitamina que diminui a malformação do sistema nervoso central do feto, três meses antes de engravidar e que será prescrito pelo profissional que realiza seu acompanhamento.

Durante o pré-natal será solicitado vários exames de sangue, urina, fezes e ultrassonografias, todos de muita importância para avaliar o bom seguimento da gestação. Dentre esses, o ultrassom de translucência nucal (TC) é de grande importância para se avaliar a possibilidade de uma alteração cromossômica, e é realizado em torno da 11ª a 13ª semana de gestação. 

Quero engravidar e não consigo. O que fazer?

A recomendação é que depois de um ano de tentativas sem sucesso, com relações sexuais frequentes e sem proteção, se procure ajuda profissional.

Com uma idade mais avançada inúmeros fatores afetam a fertilidade, como número menor de óvulos; ciclo menstrual irregular; alterações no útero; doenças do aparelho reprodutivo, como endometriose; assim como doenças crônicas e obesidade.

Para auxiliar o casal na concepção, naturalmente, é indicado que se tenha conhecimento do ciclo menstrual da mulher, sabendo identificar o período fértil. É importante manter a boa saúde e tranquilidade do casal.

Já os métodos artificiais, antes de se optar por eles, o profissional tenta corrigir o motivo da infertilidade, seja por parte da mulher ou do homem. Caso a concepção não ocorra, existe tratamento clínico, cirúrgico e técnicas de reprodução assistida, como a inseminação intra-uterina e fertilização in vitro. Esses últimos, além do custo elevado das técnicas, podem ser um processo demorado e cansativo para o casal.


Mas o sonho da maternidade nunca pode ser deixado de lado. Se há a vontade, fazendo o acompanhamento e aconselhamento corretos, é possível sim ter uma gravidez saudável e as dificuldades podem ser superadas.



domingo, 29 de junho de 2014

Gravidez e dificuldades gastrointestinais





Neste período uma série de modificações no nosso sistema digestivo deixa a grávida apreensiva. Náuseas, vômitos, mudanças no paladar e no ritmo intestinal. Vamos entender as principais mudanças e porque elas acontecem.

Náuseas e vômitos

Muito comum no início da gestação, costuma não causar problemas na saúde da gestante e do feto, porém existem casos em que o quadro de vômitos é tão intenso e a gestante começa a perder muito peso, em que é preciso procurar ajuda. Nesses casos talvez a gestante precise de internação para controlar o problema.

Em geral, uma mudança na alimentação, como fracionar as refeições (seis refeições leves ao dia); evitar frituras, gorduras e alimentos com cheiros fortes ou desagradáveis; evitar líquidos durante as refeições, dando preferência à ingestão nos intervalos e ingerir alimentos sólidos antes de levantar-se pela manhã ajudam a minimizar o problema. Também pode-se usar medicamentos prescritos pelo seu obstetra para casos de vômitos frequentes.

Azia

Também muito comum, acontece por um misto de mudanças hormonais, que causam um relaxamento da válvula que separa o estômago do esôfago, junto com mudanças na estrutura do corpo da grávida, em que o útero ocupa cada vez mais espaço, pressionando o estômago. Consequentemente acontece um refluxo, dando uma sensação incomoda de acidez na boca e queimação no peito e na garganta.

Para melhorar essa sensação as orientações são as mesmas para náuseas e vômitos, além da gestante evitar café, chá preto, mates, doces, alimentos gordurosos, picantes e irritantes do estômago, e principalmente álcool e fumo. Em casos que o obstetra orientar, pode ser usado também medicamentos antiácidos.

Aumento da salivação

Comum e incomodo no início da gravidez, aparece por mudanças hormonais sobre as glândulas salivares. Para diminuir, as dicas são as mesmas sobre alimentação para náuseas e vômitos, e as gestantes também devem deglutir a saliva e tomar líquidos em abundância, principalmente nas épocas de calor.

Cólicas, gases e prisão de ventre

A ação hormonal é de novo a responsável, pois ela atua na diminuição da movimentação intestinal, deixando a digestão mais lenta e favorecendo a formação de gases.

Primeiro deve-se atentar que o motivo do incomodo não é por contrações uterinas, por isso a importância de tirar todas as dúvidas com o profissional que faz seu acompanhamento. Descartada essa hipótese, fazer uma alimentação rica em fibras, com frutas com bagaço, verduras de preferência cruas e cereais integrais, aumentar a ingestão de água e evitar o excesso de alimentos que produzem muitos gases, como batata doce, ovos, repolho, cebola, brócolis, feijão, frituras e grãos, além de fazer caminhadas leves.

Hemorróidas

Acontecem frequentemente devido ao aumento do peso corporal, da pressão exercida na região pélvica e aumento da quantidade de sangue que circula pelo corpo da gestante. Assim, as veias da região do ânus se dilatam e ficam inchadas, formando as hemorróidas.

Para melhorar esta situação, deve-se fazer uma alimentação rica em fibras, a fim de evitar a prisão de ventre. Também não se deve usar papel higiênico e fazer higiene com água e sabão neutro após ir ao banheiro; aplicar compressas e fazer banhos de assento com água morna aliviam o incomodo. Se sentir dor ou sangramento anal persistente avisar para o seu obstetra.


Esses são os problemas que acontecem na gestação com maior frequência, mas o mais importante é sempre conversar com o profissional que faz seu pré-natal, tirando todas as dúvidas e evitando complicações.