quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Trombofilia e gestação

Tratamento concluído com sucesso após 182 injeções de Clexane 40mg

Ainda pouco divulgada, a trombofilia associada a gestação é uma importante causa de morbimortalidade materna e fetal.

Segundo o Ministério da Saúde, a trombofilia é definida como tendência à trombose. Classicamente, a trombofilia é dividida em adquirida, representada principalmente pela síndrome antifosfolípide (SAF), e hereditária. São indicações para investigação a ocorrência passada ou recente de qualquer evento trombótico, aborto recorrente, óbito fetal, pré-eclâmpsia, eclâmpsia, descolamento prematuro de placenta e restrição de crescimento fetal grave, além de história familiar. A gestação, muitas vezes, é a única oportunidade para a investigação destes fatores. A identificação dos mesmos e seu tratamento podem mudar drasticamente tanto o resultado da gestação e qualidade de vida da mulher em idades mais avançadas.

Trombofilia Adquirida ou Síndrome Antifosfolípide

A SAF caracteriza-se pela presença de um ou mais anticorpos antifosfolípides (anticorpo anticardiolipina, anticoagulante lúpico, antibeta2 glicoproteína I), positivos em dois exames, com intervalo mínimo de doze semanas entre eles, associados a pelo menos um dos seguintes critérios clínicos:

• um ou mais episódio de trombose venosa ou arterial.
• morbidade obstétrica: 
- três abortamentos precoces inexplicados; 
- óbito fetal com mais de dez semanas;
- parto prematuro antes de 34 semanas com pré-eclâmpsia, eclâmpsia ou insuficiência  placentária.

Trombofilia hereditária

Decorre da presença de mutações em fatores envolvidos com a coagulação, que levam à tendência de trombose. As manifestações clínicas são similares àquelas da trombofilia  adquirida.
Os principais fatores de trombofilia hereditária são: de ciência das proteínas C, S e antitrombina, fator V de Leiden, mutação G20210A no gene da protrombina (fator II da coagulação) e mutação C677T no gene da enzima metileno tetrahidrofolato redutase (MTHFR).

Tratamento para SAF e trombofilia hereditária

Anticoagulação profilática

As gestantes com síndrome antifosfolípide ou trombofilia hereditária devem receber profilaxia, que deve ser iniciada, preferencialmente, na segunda fase do ciclo menstrual de possível concepção, e mantida caso a gestação aconteça. Se a gestação ocorrer na ausência da profilaxia, ela deve ser iniciada o mais precocemente possível. 
As portadoras de mutação C677T-MTHFR podem ser abordadas pela suplementação de ácido fólico e vitamina B6 antes da gravidez.
A aspirina, utilizada de forma isolada, é reservada para as mulheres portadoras  de anticorpo anticardiolipina, desde que haja antecedente clínico  ou obstétrico. A dose preconizada é 80 a 100mg por dia via oral. 

Dificuldades de diagnóstico e tratamento 

Tanto os exames para diagnosticar a trombofilia quanto o tratamento com as injeções de anticoagulante são de alto custo, o que provavelmente é a causa de não ser incluído na rotina de exames pré-natais, assim a maioria das mulheres descobrem a condição depois de consecutivas e dolorosas perdas fetais, muitas vezes tardias, já no final da gestação. 
Quando se tem a certeza do problema, outro desafio é conseguir as injeções. 
Para essas mulheres, o ideal é recorrer ao advogado de confiança ou defensoria pública de sua localidade para fornecimento gratuito, seja pelo SUS ou pelo plano de saúde conveniado.

Outra dificuldade é o manejo do tratamento, que é doloroso por ser em geral através de injeções subcutânea diárias de anticoagulante, o que causa muitas vezes dor e hematomas. Abaixo um vídeo mostrando como minimizar esses incômodos , assim como a demonstração da correta aplicação do medicamento ⬇

https://youtu.be/o9w7U5nJnQI

Por ser um problema não muito divulgado, muitos profissionais ainda tem conduta insegura diante dos casos, e diferem de opinião, deixando ainda mais angustiada a futura mamãe . É importante obter opiniões diversas de vários profissionais, em geral obstetras e hematologistas, para maior segurança e tranquilidade.

Por mais que seja cansativa toda rotina de exames e tratamento, tente vivenciar a gestação com trombofilia da melhor maneira possível, aproveitando cada momento e encorajando outras mães que estão passando pelo mesmo diagnóstico. Juntas podemos manter uma boa rede de apoio, compartilhando nossas experiências e mostrando que é possível realizar o sonho da maternidade.

Na foto: Meu filho Samuel, com 3 meses de vida. Trombofilia hereditária portadora de mutação C677T-MTHFR, homozigoze.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Dicas e desafios da alimentação dos bebês



A chegada de um bebê na família gera uma infinidade de inseguranças: saúde, higiene, vacinas, e alimentação. A alimentação e nutrição adequadas são requisitos essenciais para o crescimento e desenvolvimento de todas as crianças, então vamos entender melhor o que se deve ou não fazer em relação à forma de oferecer alimentos à criança a partir do nascimento.

O Ministério da Saúde elaborou um Guia Alimentar que traz orientações de como proceder para prevenção e redução dos riscos e problemas detectados e à promoção de uma dieta saudável, e elaborou um conjunto de recomendações apresentadas em “Os dez passos para a alimentação saudável”:

Passo 1 - Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento. 

Passo 2 - A partir dos seis meses, oferecer de forma lenta e gradual outros alimentos, mantendo o leite materno até os dois anos de idade ou mais. 

Passo 3 - A partir dos seis meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, frutas e legumes) três vezes ao dia se a criança receber leite materno e cinco vezes ao dia se estiver desmamada. 

Passo 4 - A alimentação complementar deve ser oferecida sem rigidez de horários, respeitando-se sempre a vontade da criança. 

Passo 5 - A alimentação complementar deve ser espessa desde o início e oferecida de colher; começar com consistência pastosa (papas/purês), e gradativamente aumentar a sua consistência até chegar à alimentação da família. 

Passo 6 - Oferecer à criança diferentes alimentos ao dia. Uma alimentação variada é uma alimentação colorida. 

Passo 7 - Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições. 

Passo 8 - Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação. 

Passo 9 - Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados. 

Passo 10 - Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

Amamentação

Já é sabido que a amamentação é essencial para a saúde da criança. São inúmeras as vantagens da amamentação, especialmente nos primeiros meses de vida. Quanto mais a criança mamar no peito, mais protegida estará. 

Dentre os benefícios que a amamentação trás para o bebê podemos citar: evita mortes infantis por infecções, evita diarreia, diminui o risco de alergias, diminui o risco de hipertensão, colesterol alto e diabetes, reduz a chance de obesidade, efeito positivo na inteligência (melhor desenvolvimento cognitivo), melhor desenvolvimento da cavidade bucal (alinhamento correto dos dentes e melhor oclusão dentária), diminui episódios de prisão de ventre, entre outros.

Já para a mãe, há a diminuição do sangramento pós-parto, proteção contra câncer de mama e de ovário, ela perde mais rápido o peso que ganhou na gravidez, faz o útero voltar mais rápido ao tamanho normal, e ainda promove o vínculo afetivo entre mãe e filho.

Introdução alimentar

O Ministério da Saúde indica as papas amassadas no início da introdução, e em pedaços para comer com as mãos depois que a criança já estiver adaptada. É importante oferecer diferentes consistências para o bebê. 

Uma novidade é o método BLW (do inglês baby-led weaning), que consiste em deixar alimentos cortados ao alcance da criança, que se serve da maneira que quiser. Desde que se popularizou, ele vem causando polêmica. Os estudos se dividem entre os que apontamos ganhos dessa autonomia e os que dizem não haver vantagem nutricional no método.

Seja o exemplo

O seu filho vai aprender a comer ao observar a rotina da família. Por isso é importante que desde o início da introdução alimentar, ele se sente à mesa e consuma os mesmos alimentos que os pais (de preferência com as devidas adaptações de consistência). Evite o uso de TV, celulares e outros eletrônicos neste momento, para não haver distrações e comprometimento da alimentação.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Infertilidade e o uso da Fitoterapia





Quando um casal toma a decisão de se tornarem pais, seja pela primeira vez ou já tendo filhos, por vezes os planos de aumentar a família pode demorar mais que o esperado. O medo e a ansiedade tomam conta, atrapalhando ainda mais a concepção. Nestas horas muitas pessoas recorrem a várias técnicas e tratamentos alternativos. 

O que é infertilidade?

Segundo o Ministério da Saúde, infertilidade é a dificuldade de um casal obter gravidez no período de um ano tendo relações sexuais frequentemente sem uso de nenhuma forma de anticoncepção.

As causas podem ser muitas, sendo as femininas mais comuns: Idade avançada da mulher; dificuldades na ovulação; disfunções hormonais; causas tubárias e do canal endocervical, geralmente provocada pela endometriose ou infecções pélvicas; e causas ambientais, como exposição a fatores de risco (raios X, radiações, medicamentos tóxicos); 

Já como causas masculinas as mais comuns são: Fatores genéticos; fatores hormonais; infecções; varicocele (varizes no testículo); e outros fatores ambientais de exposição, como radioterapia, quimioterapia, doenças neurológicas, diabetes, traumas testiculares, drogas e doenças sexualmente transmissíveis.

O que é fitoterapia?

A fitoterapia é a prevenção e o tratamento de doenças mediante o uso de plantas (Ferreira, 1999). Phyton, em grego, quer dizer “planta” e therapeia significa “tratar, cuidar”. Segundo a portaria 971, de 03/05/2006, do Ministério da Saúde, a fitoterapia é uma terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem vegetal.

O uso das ervas medicinais nos problemas de Infertilidade é muito antigo. Podemos encontrar na bíblia, a história de Rachel e Leah, em que Rachel tentava engravidar por muitos anos e estava cada dia mais desesperada por não conseguir. Ela se lamentava com o marido – “Dê-me um filho, do contrário eu morrerei!” (Gênesis 30:1). Até que usou mandrágoras e conseguiu engravidar. 

O problema é quando o casal acaba recorrendo à terapia sem o auxílio profissional, através de conselhos, na internet, entre outros. Apesar dos riscos, casais usam esse tipo de medicamento sem indicação profissional, em diversas preparações, como as conhecidas "garrafadas", como são chamadas as misturas de plantas, preparadas muitas vezes de forma precária, sem condições de higiene e sem respaldo científico, podendo ser extremamente perigoso.

Os remédios naturais, como os fitoterápicos, devem ser tratados com o mesmo cuidado que qualquer remédio tradicional. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fitoterápicos são “medicamentos obtidos empregando-se como princípio ativo exclusivamente derivados de drogas vegetais”. Portanto, quando usadas de modo indevido ou mal preparadas, essas substâncias podem trazer muitos prejuízos à saúde. Os medicamentos fitoterápicos precisam seguir todas as regras de produção, assim como qualquer outro medicamento, passando pelas fases de registro, de comprovação de resultados e provar que não há efeitos colaterais significativos.

Segundo a professora Fátima Nascimento*, Enfermeira Obstetra Fitoterapeuta – que mantém um canal no site YouTube de orientação às mulheres sobre saúde da mulher e materno-infantil – “é necessário que a mulher conheça o funcionamento do seu corpo e seu ciclo”, assim ela orienta em suas consultas, aliando o auto-conhecimento, avaliação geral e por fim a prescrição de fitoterápicos de acordo com a necessidade do casal.

Recomenda-se que casais, que pretendem fazer um tratamento natural para a fertilização, iniciem, antes de tomar a medicação recomendada, uma dieta alimentar saudável e melhorar o estilo de vida, como praticar atividades físicas sob supervisão profissional, para melhor funcionamento do organismo e impacto positivo da terapia.

Outro ponto fundamental é o casal investigar com o especialista a causa da infertilidade, realizar os exames necessários para se ter o diagnóstico do problema.

A Fitoterapia é uma ótima opção de tratamento complementar, mas deve ser receitada por profissionais que tenham experiência na sua utilização. O fato de serem produtos naturais não os isenta de causarem efeitos colaterais indesejados.


quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Campanha Outubro Rosa: Cuide-se!




Estamos no final do mês de outubro, e muitas pessoas já devem ter se atentando que neste mês alguns locais de comércio, turismo, entre outros, ganham um charme especial: a iluminação rosa. O nome do movimento, “Outubro Rosa”, remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Esta cor feminina entra em destaque como um alerta. De acordo com o INCA - Instituto Nacional de Câncer - É o tipo de câncer mais frequente na mulher brasileira e segundo tipo mais frequente no mundo.

Com esta campanha, espera-se que com as ações promovidas, principalmente pelo Ministério da Saúde, se estimule a prevenção pelo diagnóstico precoce.


O que é câncer de mama?


Nesta doença, ocorre um desenvolvimento anormal das células da mama, que se multiplicam repetidamente até formarem um tumor maligno.


Como a mulher pode perceber a doença?


O sintoma do câncer de mama mais fácil de ser percebido pela mulher é um caroço no seio, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar parecida com uma casca de laranja; também podem aparecer pequenos caroços embaixo do braço. Deve-se lembrar que nem todo caroço é um câncer de mama, por isso é importante consultar um profissional de saúde.


Como descobrir a doença mais cedo?


Toda mulher com 40 anos ou mais de idade deve procurar um ambulatório, centro ou posto de saúde para realizar o exame clínico das mamas anualmente, além disso, toda mulher, entre 50 e 69 anos deve fazer pelo menos uma mamografia a cada dois anos. O serviço de saúde deve ser procurado mesmo que não haja sintomas.


O que é o exame clínico das mamas?


É o exame das mamas realizado por médico ou enfermeiro treinado para essa atividade. Neste exame poderão ser identificadas alterações nas mesmas. Se for necessário, será indicado um exame mais específico, como a mamografia.


O que é mamografia?


É um exame muito simples que consiste em um raio-X da mama e permite descobrir o câncer quando o tumor ainda é bem pequeno, na fase inicial da doença. É realizada em um aparelho apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.


O que pode aumentar o risco de ter câncer de mama?


Se uma pessoa da família – principalmente a mãe, irmã ou filha – teve essa doença antes dos 50 anos de idade, a mulher tem mais chances de ter um câncer de mama. Quem já teve câncer em uma das mamas ou câncer de ovário, em qualquer idade, também deve ficar atenta. As mulheres com maior risco de ter o câncer de mama devem tomar cuidados especiais, fazendo, a partir dos 35 anos de idade, além do exame clínico das mamas, também a mamografia, uma vez por ano.

Porém, mulheres que não possuem casos na família não podem descartar a possibilidade de desenvolver a doença.


O auto-exame previne a doença?


O exame das mamas realizado pela própria mulher, apalpando os seios, ajuda no conhecimento do próprio corpo, entretanto, esse exame não substitui o exame clínico das mamas realizado por um profissional de saúde treinado. Caso a mulher observe alguma alteração deve procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo de sua residência. Mesmo que não encontre nenhuma alteração no auto-exame, as mamas devem ser examinadas uma vez por ano por um profissional de saúde.


O que mais a mulher pode fazer para se cuidar?


Ter uma alimentação saudável e equilibrada, com frutas, legumes e verduras, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e não fumar. Essas são algumas dicas que podem ajudar na prevenção de várias doenças, inclusive do câncer.



quinta-feira, 16 de junho de 2016

O sol como aliado no combate a deficiência de vitamina D





Muitas pessoas acabam por aproveitar do sol nas épocas de verão, em dias de praia, planejando suas férias... Mas será que podemos nos beneficiar do sol somente neste momento, como atividade de recreação?

Em nossa rotina corrida, quase não lembramos o quanto é importante nos expor ao sol para benefício de nossa saúde. Criamos mecanismos de adaptação a tudo, e deixamos de aproveitar o que cada estação do ano nos oferece. Não sentimos a diferença de dias mais longos ou mais curtos durante o ano, pois nós acendemos a luz. Se está frio, ligamos o aquecedor; e quando está quente, ligamos o ar condicionado. Assim, vivemos cada vez mais isolados do sol, em ambientes fechados, como no trabalho, dentro de automóveis, ônibus, metrôs e trens, e dentro de nossa casa.

Deixamos de ter atividades ao ar livre, seja em qualquer idade. As crianças de hoje permanecem grande parte do tempo dentro de creches, escolas, fixadas em aparelhos eletrônicos, como televisores, celulares e tablets. Adultos, por sua vez, cada vez mais sedentários, vivendo quase que em confinamento, entre escritórios, salas de aula, e novamente escravos dos aparelhos eletrônicos.

De certo que há um tempo as pessoas criaram um bloqueio quanto à exposição solar, com os mais diversos argumentos de que o sol poderia nos causar muitos problemas de saúde, dos mais graves como câncer de pele, até os de origem estética, como o envelhecimento precoce da pele. Nos tornamos dependentes de protetores solares em qualquer situação, hora e lugar. Mas será que todo esse cuidado é necessário?

Sim, precisamos nos proteger da exposição em excesso, dos horários de pico de radiação solar, mas precisamos nos expor mais e de forma segura.

O sol não é um vilão, e sim um dos maiores protetores da pele e de todo o organismo, através da vitamina D. E a vitamina D é fabricada na nossa pele a partir da penetração dos raios ultravioleta B do sol.

Os raios ultravioleta B, que se transformam em vitamina D, são bloqueados de penetrar na pele pelos protetores e bloqueadores solares. 

Problema de saúde pública

A hipovitaminose D é altamente prevalente e constitui um problema de saúde pública em todo o mundo. Estudos mostram uma elevada prevalência dessa doença em várias regiões geográficas, incluindo o Brasil.

A importância da vitamina D

Responsável por metabolizar o cálcio e o fósforo no nosso organismo, a vitamina D é essencial para a saúde dos ossos. De acordo com o Ministério da Saúde, 80% da necessidade diária pode ser adquirida pela exposição diária ao sol. Mas alimentos como leite integral, fígado e peixes de águas profundas como salmão e atum, também são fontes de vitamina D.

A vitamina D é importante para o bom funcionamento do nosso organismo, para a regulação do sistema imunológico, que é nosso sistema de defesa, e ela faz parte de todo um processo de tratamento e prevenção, inclusive, de doenças autoimunes, como artrite reumatoide e a esclerose múltipla.

Pesquisas científicas indicam que a deficiência de vitamina D possui influência na causa de diversos tipos de câncer, além de doenças cardíacas, derrame, diabetes, pressão alta, depressão e dor crônica. 

Isso não significa que a única causa dessas doenças seja a deficiência da Vitamina D, mas que as múltiplas influências da Vitamina D na saúde não podem ser ignoradas.

Você já mediu seus níveis de vitamina D?

Se você acha que se enquadra numa população de risco, que tem pouca exposição solar, está na menopausa e pré-menopausa, ou se está na dúvida se pode ter hipovitaminose D, solicite ao seu médico que lhe peça o exame de dosagem de vitamina D no sangue.

Qual a melhor forma de absorver vitamina D?

O Sol, com seus raios ultravioleta B, é nossa melhor e mais segura fonte de vitamina D. Especialmente no Brasil, onde ele brilha na maior parte do ano. Aqui não possuímos fontes abundantes de alimentos que possuem de vitamina D. 

Posso tomar suplementos de vitamina D por conta própria?

A reposição de vitamina D a partir de suplementos em forma de comprimidos ou cápsulas deve ser feito apenas em casos excepcionais, por prescrição de um médico, pois o excesso de vitamina D pode ser altamente prejudicial à saúde. 

O que é recomendável?

Para garantir a ingestão diária de vitamina D, o Ministério da Saúde recomenda, além de consumir alimentos como leite, fígado e peixe, garantir a exposição solar de quinze a vinte minutos pelo menos três vezes por semana, sem protetor solar, até às dez da manhã ou após as quatro da tarde. 

Em relação aos bebês, o leite materno é pobre em vitamina D, e a pele do bebê é delicada. Não o deixe confinado dentro de casa, exponha-o ao sol nos horários apropriados – até dez da manhã ou depois de quatro da tarde – e por pouco tempo, média de cinco minutos, com o corpo todo exposto diretamente ao sol, protegendo apenas rosto e olhos com chapéu, por exemplo.

A complementação das necessidades diárias, assim como o tratamento da deficiência, deve ser realizada para indivíduos com risco para hipovitaminose D e naqueles com contraindicação clínica para exposição solar, como no câncer de pele, transplantados ou no lúpus.


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Violência contra a mulher: Precisamos falar sobre isso.






Com toda a repercussão do caso de estupro coletivo a uma adolescente de dezesseis anos, no município do Rio de Janeiro, muito ainda se tem a falar sobre o tema. Esse foi um dos inúmeros casos de violência contra a mulher que acontece no Brasil, e, infelizmente, ainda ouvimos discursos de uma parcela da sociedade com comportamentos duvidosos, como alguns que transformaram o vídeo do crime como uma verdadeira atração a ser compartilhada nas redes sociais, outros que culparam a própria vítima pelo ocorrido, e também teve outra parcela que diz que o caso não nem a ver com a sua vida e sua rotina, pois aconteceu em uma “outra realidade” e preferiram se calar. 

Por que não podemos nos calar?

Porque esse problema é seu, é meu, é de todos. Porque pode acontecer com qualquer uma, em qualquer lugar, em qualquer situação. Você pode estar sozinha, ou acompanhada, e mesmo assim ser uma vítima em potencial. Porque temos que dar um basta na já tão falada “cultura do estupro”, que é, resumidamente, minimizar o estupro e culpar as vítimas pelo ato.

O que os dados mostram:

Segundo dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR) a partir dos dados recebidos pelo Ligue 180, o Brasil registrou nos dez primeiros meses do ano passado, 63.090 denúncias de violência contra a mulher – o que corresponde a um relato a cada 7 minutos no país. 

A mesma fonte também registrou 19.182 denúncias de violência psicológica, 4.627 de violência moral, 3064 de violência sexual e 3.071 de cárcere privado. 

Os dados mostram ainda que, entre os relatos de violência, 85,85% corresponderam a situações em ambiente doméstico e familiar. Na maioria dos casos foram cometidos por homens com as quais vítimas tinham ou tiveram algum vínculo afetivo, como cônjuges, namorados, ex-cônjuges ou ex-namorados. Em 27% dos casos o agressor era um familiar, amigo, vizinho ou conhecido.

Legislação

A Lei Maria da Penha - Lei nº 11.340/2006 - é a principal legislação brasileira para enfrentar a violência contra a mulher. A norma é reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência de gênero.

Além da Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, colocou a morte de mulheres no rol de crimes hediondos e diminuiu a tolerância nesses casos.

Mais recentemente, o atual presidente Michel Temer anunciou a criação um departamento na Polícia Federal para combater a violência à mulher, em que irá agrupar informações estaduais e coordenar ações em todo país. 

Mas o que é violência contra a mulher?

Segundo dados oficiais do governo, o que poucos sabem é que a violência doméstica vai muito além da agressão física ou do estupro. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias: violência patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica.

Conheça algumas formas de agressões que são consideradas violência doméstica no Brasil:

- Humilhar e diminuir a autoestima - Agressões como humilhação, desvalorização moral ou deboche público em relação à mulher constam como tipos de violência emocional.

- Tirar a liberdade de crença - Um homem não pode restringir a ação, a decisão ou a crença de uma mulher. Isso também é considerado como uma forma de violência psicológica.

- Fazer a mulher achar que está ficando louca - Há inclusive um nome para isso: o gaslighting. Uma forma de abuso mental que consiste em distorcer os fatos e omitir situações para deixar a vítima em dúvida sobre a sua memória e sanidade.

- Controlar e oprimir a mulher - Aqui o que conta é o comportamento obsessivo do homem sobre a mulher, como querer controlar o que ela faz, não deixá-la sair, isolar sua família e amigos ou procurar mensagens no celular ou e-mail.

- Expor a vida íntima - Falar sobre a vida do casal para outros é considerado uma forma de violência moral, como por exemplo, vazar fotos íntimas nas redes sociais como forma de vingança.

- Atirar objetos, sacudir e apertar os braços - Nem toda violência física é o espancamento. São considerados também como abuso físico a tentativa de arremessar objetos, com a intenção de machucar, sacudir e segurar com força uma mulher.

- Forçar atos sexuais desconfortáveis - Não é só forçar o sexo que consta como violência sexual. Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa, como a realização de fetiches, também é violência.

- Impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrigá-la a abortar - O ato de impedir uma mulher de usar métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte ou o anticoncepcional, é considerado uma prática da violência sexual. Da mesma forma, obrigar uma mulher a abortar também é outra forma de abuso.

- Controlar o dinheiro ou reter documentos - Se o homem tenta controlar, guardar ou tirar o dinheiro de uma mulher contra a sua vontade, assim como guardar documentos pessoais da mulher, isso é considerado uma forma de violência patrimonial.

- Quebrar objetos da mulher - Outra forma de violência ao patrimônio da mulher é causar danos de propósito a objetos dela, ou objetos que ela goste.

Como agir?

A Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 - é um serviço de atendimento telefônico que recebe denúncias de maus-tratos contra as mulheres, oferecido pela a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República. Para entrar em contato com a central, basta ligar gratuitamente para 180 de qualquer telefone (móvel ou fixo, particular ou público). O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os finais de semana e feriados.


sexta-feira, 22 de abril de 2016

terça-feira, 12 de abril de 2016

Dia do Enfermeiro Obstetra




Dia 12 de abril - Dia do Enfermeiro Obstetra.

Respeitando a fisiologia com responsabilidade! Fazendo a diferença e humanizando esse momento mais que especial!
Parabéns para nós!!

quinta-feira, 31 de março de 2016

H1N1: Uma gripe nada inofensiva




Em tempos de viroses e epidemias, muitas pessoas andam confusas quando acabam por adoecer... Febre, dores no corpo, dor de cabeça, entre outros sintomas. Será dengue, Zika, Chikungunya, ou não mais a recente doença, mais que vem assustando muita gente ultimamente, a gripe H1N1?

Neste outono e com a proximidade do inverno, mais um vírus passa a circular, contaminando e matando pessoas: o vírus da gripe A (H1N1), também conhecida como gripe suína. Os números de casos e de óbitos este ano, nesta época, já superou em muito os do ano passado em todo Brasil, principalmente no estado de São Paulo. 

O que é a Influenza A/H1N1?

Popularmente chamada de gripe suína, a H1N1 é uma doença respiratória dos porcos causada por um vírus de influenza do tipo A, que é motivo de surtos regulares que se disseminam também de pessoa para pessoa. 

Quais são os sinais e sintomas da Influenza A/H1N1 nos seres humanos?



Os sintomas da gripe suína nos seres humanos são similares aos sintomas da influenza humana comum, e inclui febre, tosse, garganta inflamada, dores no corpo, dor de cabeça, calafrios e fadiga. Algumas pessoas relatam diarréia e vômitos associados à gripe. Em formas mais graves da doença a pessoa pode desenvolver pneumonia e falência respiratória, e mortes estão sendo relatadas com a infecção pelo H1N1. A doença ainda pode causar uma piora de doenças crônicas já existentes.

Como se transmite a Influenza A/H1N1?

A transmissão do vírus Influenza A (H1N1) ocorre da mesma maneira pela qual se transmite a influenza sazonal. Se disseminam de pessoa para pessoa especialmente através de tosse ou espirros das pessoas infectadas. Algumas vezes, as pessoas podem se infectar tocando objetos que estão contaminados com os vírus da influenza e depois tocando sua boca ou seu nariz.

As pessoas infectadas podem infectar outras a partir do primeiro dia antes do desenvolvimento dos sintomas e até sete dias ou mais depois de adoecer. As crianças podem ser potencialmente contagiantes por períodos mais longos. Isso quer dizer que você pode transmitir o vírus para outra pessoa antes de saber que está doente, bem como depois de adoecer.

O que devo fazer se eu adoecer?

Se você reside em áreas nas quais foram identificados casos de gripe H1N1 e adoecer com sintomas similares aos da influenza, incluindo febre, dores no corpo, coriza, garganta inflamada, náuseas ou vômitos ou diarréia, você deve ir até a unidade de saúde mais próxima. O profissional de saúde vai determinar o tratamento adequado para o seu caso.

Existem medicamentos para tratar a Influenza A/H1N1?

Segundo o Ministério da Saúde, várias unidades de saúde do país receberam estoque de medicamento para os casos de gripe. O produto está disponível nas unidades públicas de saúde com receita médica simples.

O que eu devo fazer me prevenir desta doença?



Primeira medida e a mais importante: lave as mãos. O vírus pode ser transmitido por gotículas de tosse ou espirro de pessoas infectadas que se movem pelo ar e também quando uma pessoa toca algum objeto contaminado e depois toca seus olhos, nariz ou boca. 

Existem ações cotidianas que podem ajudar a prevenir a disseminação dos vírus que causam doenças respiratórias tais como a influenza. Para se proteger você deve:

- Cobrir o nariz e a boca com um lenço de papel quando tossir ou espirrar, jogando o lenço no lixo após o uso.

- Lavar as mãos com freqüência, usando água e sabão, especialmente após tossir ou espirrar. Produtos para desinfecção das mãos à base de álcool também são eficientes.

- Evitar tocar seus olhos, nariz ou boca. 

- Tentar evitar contato próximo com pessoas doentes.

- E se você contrair a influenza é recomendado repouso, evitando ir ao trabalho ou à escola. Evite contato com outras pessoas, para não infectá-las.

Mantenha sua saúde em dia, com hábitos saudáveis, como dormir bem, praticar atividade física, evitar o stress, beber bastante líquido e ingerir alimentos nutritivos. 



Outra forma de prevenção é a vacinação. Neste ano, o Ministério da Saúde lança a 18ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Gripe, que será realizada no período de 30 de abril a 20 de maio de 2016, sendo 30 de abril, o dia de mobilização nacional. A vacina é segura e é considerada uma das medidas mais eficazes na prevenção de complicações e casos graves de gripe. Estudos demonstram que a vacinação pode reduzir entre 32% e 45% o número de hospitalizações por pneumonias e de 39% a 75% a mortalidade por complicações da influenza.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Microcefalia, Zika Vírus e gestação






O que está acontecendo?


Segundo dados do Ministério da Saúde, até o momento, foram notificados 1.248 casos suspeitos de microcefalia, identificados em 311 municípios. O estado de Pernambuco registra o maior número de casos (646), sendo o primeiro a identificar aumento de microcefalia em sua região. Em seguida, estão os estados de Paraíba (248), Rio Grande do Norte (79), Sergipe (77), Alagoas (59), Bahia (37), Piauí (36), Ceará (25), Rio de Janeiro (13), Tocantins (12) Maranhão (12), Goiás (2), Mato Grosso do Sul (1) e Distrito Federal (1). Entre o total de casos, foram notificados sete óbitos. Um recém-nascido do Ceará, com diagnóstico de microcefalia e outras malformações congênitas por meio de ultrassonografia, teve resultado positivo para vírus Zika. Outros cinco no Rio Grande do Norte e um no Piauí estão em investigação para definir causa da morte.




Qual é a relação entre o Zika vírus e a microcefalia? 


O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o vírus Zika e o surto de microcefalia. Essa é uma situação inédita no mundo. As investigações continuam para esclarecer questões como: a transmissão, o efeito no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Inicialmente, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.




O que é microcefalia?


A microcefalia não é um problema novo, mas era raro até o momento. Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com a circunferência do crânio menor, que normalmente é igual ou maior que 33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como causas genéticas, passadas dos pais para o filho, como também por uso de drogas, álcool ou outros produtos tóxicos durante a gestação, radiação, além de possíveis infecções que atinjam o bebê durante a gestação.

Crianças que nascem com essa má formação podem ter complicações no desenvolvimento da fala, motora e quadros de convulsão.




Zika vírus, o que é?




Doença viral aguda, transmitida por meio da picada de mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Por esse motivo, as medidas de prevenção e controle são as mesmas já adotadas para a dengue e chikungunya. A pessoa infectada apresenta:

- febre baixa; 

- olhos vermelhos, mas sem secreção e sem coceira; 

- dores nas articulações; 

- pontos brancos ou vermelhos na pele;

- dores musculares, dor de cabeça e dor nas costas. 

Os sinais e sintomas podem durar até 7 dias, porém a maior parte dos casos não apresenta sinais e sintomas.

O tratamento é para melhorar os sintomas, baseado no uso de paracetamol para febre e dor, conforme orientação médica. Não está indicado o uso de ácido acetilsalicílico e remédios anti-inflamatórios, devido ao risco aumentado de hemorragias, como ocorre com a dengue. Procure o serviço de saúde mais próximo se apresentar alguns desses sintomas!




Como a gestante deve se proteger? 


“Não há uma recomendação do Ministério da Saúde para evitar a gravidez, mas se for uma gravidez programada, talvez não seja o momento ideal”. Esta foi a última nota oficial referente a toda esta situação.

É importante que as gestantes mantenham o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo profissional de saúde que faz seu acompanhamento. Há a orientação de não consumirem bebidas alcoólicas ou qualquer outro tipo de drogas, não utilizar medicamentos sem orientação médica e evitar contato com pessoas com febre ou infecções.

É importante também que as gestantes adotem medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doença, com a eliminação de criadouros, e proteger-se da exposição de mosquitos, como manter portas e janelas fechadas ou teladas, usar calça e camisa de manga comprida e utilizar repelentes permitidos para gestantes.




Gestantes podem usar repelentes?


Sim, gestantes devem usar repelente de inseto. Considerando a necessidade de se proteger contra uma doença potencialmente grave, a proteção tem que ser o mais eficiente possível. Assim, os repelentes recomendados para as gestantes são os mesmos recomendados para os adultos, de acordo com a ANVISA.

São três os principais repelentes disponíveis no Brasil: Os a base de Icaridina, DEET e IR3535.

- Icaridina: na concentração de 20 a 25% (Exposis) é o repelente de maior duração na pele, conferindo aproximadamente 10 horas de proteção contra os insetos.

- DEET: é o repelente mais comum e mais fácil de ser encontrado nas farmácias e supermercados (OFF, Autan, Repelex, entre outros). É um repelente muito eficiente, mas sua duração depende da concentração de DEET no produto. No Brasil é fornecido os de 15%, o que confere proteção máxima por 6 horas. Gestantes devem escolher os repelentes com DEET na versão para adultos (15%) com 6 horas de duração e não a versão infantil, que tem apenas 6 a 9% do ativo e duração mais curta (2 horas).

- IR3535: conhecido como Loção Antimosquito Johnson’s, é indicado para crianças de 6 meses a 2 anos. Tem duração muito curta, necessitando de reaplicações a cada 2 horas, o que pode deixar a gestante desprotegida em períodos de longa exposição.

Os repelentes naturais como citronela e andiroba tem rápida evaporação e, portanto, um tempo de proteção muito curto, de 10 a 20 minutos. Assim, não são considerados repelentes seguros para gestantes.

Lembrando que o mosquito da Dengue/ Zika vírus tem hábitos diurnos, então o uso do repelente deve priorizar este período.

Como aplicar o repelente?

O efeito dos repelentes se dá pelo “efeito de nuvem”, ou seja, após a aplicação o repelente evapora e forma uma “nuvem” de aproximadamente 04 cm em volta da pele que repele o inseto. Assim, não é recomendado usar o repelente por baixo das roupas, mas por cima dos tecidos e apenas na pele exposta (braços, colo, pernas, pés).

Pelo mesmo motivo, o repelente é o último produto a ser aplicado na pele. Primeiro usa-se hidratantes, filtros solares, maquiagem, e o repelente sempre por cima de tudo.

Evite aplicar perto de olhos, nariz e boca. Todos os repelentes podem irritar as mucosas, e respeitar o intervalo para reaplicar o produto.




Este é o momento, mais do que nunca, de nos protegermos dos mosquitos. Não deixar água parada, verificar os focos em casa, usar telas, e todas as precauções para evitar a sua proliferação. Lembrando que estamos entrando na época do ano mais propícia, o verão, com muito calor e chuvas, para formação de criadouros de mosquitos. Fiquem atentos, se previnem e se apresentar algum sintoma parecido com os citados aqui, procure uma unidade de saúde.



quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Campanha Outubro Rosa - Todos na luta contra o câncer de mama



A proximidade do mês de outubro ganhou mais um motivo para ser lembrado. Muitas pessoas já devem ter se atentando que neste mês alguns locais de comércio, turismo, entre outros, ganham um charme especial: a iluminação rosa. O nome do movimento, “Outubro Rosa”, remete à cor do laço rosa que simboliza, mundialmente, a luta contra o câncer de mama e estimula a participação da população, empresas e entidades.

Esta cor feminina entra em destaque como um alerta. De acordo com o INCA - Instituto Nacional de Câncer - É o tipo de câncer mais frequente na mulher brasileira e segundo tipo mais frequente no mundo.

Com esta campanha, espera-se que com as ações promovidas, principalmente pelo Ministério da Saúde, se estimule a prevenção pelo diagnóstico precoce.

O que é câncer de mama?

Nesta doença, ocorre um desenvolvimento anormal das células da mama, que se multiplicam repetidamente até formarem um tumor maligno.

Como a mulher pode perceber a doença?

O sintoma do câncer de mama mais fácil de ser percebido pela mulher é um caroço no seio, acompanhado ou não de dor. A pele da mama pode ficar parecida com uma casca de laranja; também podem aparecer pequenos caroços embaixo do braço. Deve-se lembrar que nem todo caroço é um câncer de mama, por isso é importante consultar um profissional de saúde.

Como descobrir a doença mais cedo?

Toda mulher com 40 anos ou mais de idade deve procurar um ambulatório, centro ou posto de saúde para realizar o exame clínico das mamas anualmente, além disso, toda mulher, entre 50 e 69 anos deve fazer pelo menos uma mamografia a cada dois anos. O serviço de saúde deve ser procurado mesmo que não haja sintomas.

O que é o exame clínico das mamas?

É o exame das mamas realizado por médico ou enfermeiro treinado para essa atividade. Neste exame poderão ser identificadas alterações nas mesmas. Se for necessário, será indicado um exame mais específico, como a mamografia.

O que é mamografia?

É um exame muito simples que consiste em um raio-X da mama e permite descobrir o câncer quando o tumor ainda é bem pequeno, na fase inicial da doença. É realizada em um aparelho apropriado, chamado mamógrafo. Nele, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.

O que pode aumentar o risco de ter câncer de mama?

Se uma pessoa da família – principalmente a mãe, irmã ou filha – teve essa doença antes dos 50 anos de idade, a mulher tem mais chances de ter um câncer de mama. Quem já teve câncer em uma das mamas ou câncer de ovário, em qualquer idade, também deve ficar atenta. As mulheres com maior risco de ter o câncer de mama devem tomar cuidados especiais, fazendo, a partir dos 35 anos de idade, além do exame clínico das mamas, também a mamografia, uma vez por ano.

Porém, mulheres que não possuem casos na família não podem descartar a possibilidade de desenvolver a doença.

O auto-exame previne a doença?

O exame das mamas realizado pela própria mulher, apalpando os seios, ajuda no conhecimento do próprio corpo, entretanto, esse exame não substitui o exame clínico das mamas realizado por um profissional de saúde treinado. Caso a mulher observe alguma alteração deve procurar imediatamente o serviço de saúde mais próximo de sua residência. Mesmo que não encontre nenhuma alteração no auto-exame, as mamas devem ser examinadas uma vez por ano por um profissional de saúde.

O que mais a mulher pode fazer para se cuidar?

Ter uma alimentação saudável e equilibrada, com frutas, legumes e verduras, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e não fumar. Essas são algumas dicas que podem ajudar na prevenção de várias doenças, inclusive do câncer.




terça-feira, 12 de maio de 2015

A saúde da mulher moderna





Mãe, esposa, profissional, cidadã... Mulher. Os múltiplos papéis que esta mulher moderna exerce nestes últimos anos, sem dúvidas, faz parte de uma enorme conquista: a independência. Elas se preocupam com a beleza, com as finanças, com os filhos ou a falta deles – já um existe um grande movimento de adiamento da maternidade –, com o companheiro, entre outros. Muitas vezes ela toma o papel de chefe da família e, assim, adquire ainda muito mais responsabilidades. E como ela está administrando tudo isso? O “dar conta” de tudo está cada vez mais afetando, principalmente, a saúde delas. 

Cada dia mais estressadas, fadigadas pelas pressões diárias, sua saúde acaba por ficar em segundo plano e elas se esquecem de dar a devida atenção aos sinais de alerta do seu corpo. De acordo com um estudo sobre mortalidade no Brasil, publicado em 2006, mostrou que as principais causas de morte na população feminina brasileira entre 10-49 anos foram: cânceres (24,4%), doenças circulatórias (19,6%) e causas externas (15,5%). Entre as causas externas de morte encontram-se os homicídios e os acidentes de trânsito.

Desta forma, podemos perceber que a incorporação destas mulheres no mercado de trabalho, antes predominantemente ocupadas pelos homens, como o trabalho burocrático, por exemplo, fez com que hábitos como o sedentarismo, dieta inadequada, consumo de álcool e cigarro, poucas horas de sono, entre outros, somassem aos riscos exclusivos à população feminina (como os relacionados à gravidez e parto). Além disso, muitas mulheres mantém uma atividade laboral fora do lar sem, contudo, dispensar os cuidados com a família e as tarefas domésticas. Esta sobrecarga de funções acarreta um aumento do risco de agravos à saúde.

A soma de todos estes fatores também leva a um problema cada vez mais comum na vida delas: os transtornos emocionais e mentais. A pressão exercida, muitas vezes, pela mídia, impondo padrões inalcançáveis de beleza, contribui para a sobrecarga emocional. Elas tem de serem perfeitas e bem-sucedidas, e sabemos que não há como atingirmos perfeição e muito menos precisamos disso para sermos felizes.


Como me prevenir das doenças?


Tudo começa no início da vida sexual, em que se tem uma atenção especial para as doenças sexualmente transmissíveis, infecção pelo HPV, que está relacionado ao câncer de colo de útero, e o câncer de mama. Também, além de se ter atenção na saúde sexual e reprodutiva, é importante consultar um clínico geral ou cardiologista para exames de rotina complementares, como hemograma, glicemia, colesterol, triglicérides, ácido úrico e urina. Tudo vai depender da necessidade de saúde de cada pessoa, mas mesmo não se tendo nenhum problema, a rotina preventiva é fundamental.

Já na maturidade, além dos cuidados já citados, devem-se atentar as modificações no organismo causadas pelo climatério e menopausa, prevenindo-se contra o envelhecimento precoce e a osteoporose pelas mudanças hormonais, por exemplo.


Como viver de forma mais saudável?


Devem ser adotadas medidas para alívio do estresse do dia-a-dia e melhorar os cuidados com a saúde, como ter uma alimentação mais saudável e praticar atividades físicas. A atividade física, em especial, contribui para manutenção do peso saudável, prevenção de doenças e alívio do estresse, lembrando sempre que o acompanhamento do profissional competente nestas atividades é imprescindível.

Evitar hábitos nocivos é fundamental. Como já dito anteriormente, está cada vez mais comum mulheres adotarem o fumo e o etilismo, deixando-a mais vulnerável aos problemas cardiovasculares e diversos tipos de cânceres.

Assim, a prevenção de doenças, que são as principais causas de mortalidade da mulher, melhora este panorama e garante um futuro melhor e com mais saúde. Desde o colesterol e a glicemia controlados, garantindo uma prevenção cardiovascular, passando por mamografia prevenindo o câncer de mama, exame “preventivo” ou “papanicolau” prevenindo o câncer de colo de útero, até a dosagem de cálcio, vitamina D e densitometria óssea determinando os cuidados necessários à saúde óssea.

E um dos pontos mais importantes: reconheça suas limitações. Estes estereótipos criados de “supermulher”, que assume uma demanda exacerbada de compromissos, são incompatíveis com uma vida saudável. O equilíbrio é necessário sempre. Não estamos falando de abandonar sonhos e realizações, mas sim de prioridades. No momento que a sua rotina te adoece, ela precisa ser adequada em favor de sua saúde e felicidade.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O aborto e suas consequências




Em definição, de acordo com o Ministério da Saúde, considera-se abortamento a interrupção da gravidez até 22 semanas ou, se a idade gestacional for desconhecida, com o produto da concepção pesando menos de 500 gramas ou medindo menos de 16 cm.

Dada a complexidade do assunto e suas várias vertentes, vamos nos ater, aqui, ao aborto provocado. O objetivo não será polemizar ou abrir discussões desnecessárias, mas sim promover uma reflexão sobre o assunto, assim como possibilitar um maior entendimento sobre este problema. E utilizo a palavra “problema” propositalmente, pois realizar um aborto é uma escolha dotada de inúmeras consequências, como veremos a seguir.

“Antes que eu te formasse no ventre, te conheci (...)” Jeremias 1:5

Esta é uma de muitas citações bíblicas sobre o tema concepção e aborto. Com este respaldo, podemos entender que Deus, com todo Seu amor e cuidado por nós, tem um plano para cada um desde a nossa criação e até mesmo antes da concepção. Assim, não querendo neste momento entrar no mérito de discussões sobre feminismo versus machismo, teríamos nós o direito de interferir nos planos de Deus?

Vamos então partir de outro ponto de vista muito requisitado pelos defensores dos direitos das mulheres, no que tange ao direito sobre seu próprio corpo: o feto sendo uma vida, um ser dotado de personalidade e destino próprios; como podemos vê-lo apenas como extensão da mãe? Ele é um ser independente, portanto esta não poderia ter o direito de lhe tirar a vida, assim sendo, este ato conferiria num assassinato.

As justificativas usadas pelo movimento atual a favor da prática legal do aborto - salvo as que já são respaldadas por lei, como situação de estupro ou de risco de morte da mulher - são muitas, como a alta taxa de mortalidade de mulheres que recorreram a locais clandestinos para a prática. De fato esta é uma triste realidade. Muitas mulheres, principalmente adolescentes que mais procuram estes “serviços”, sofrem com sequelas e até mesmo o falecimento. Este discurso usado tem de ser analisado, pois será mesmo que o causador deste desfecho é a não legalização do aborto no Brasil? Posso lhes afirmar que, como profissional de saúde e mulher, o problema vai mais além. Legalizar seria um paliativo de mau gosto, pois o problema é de toda uma estrutura errada dos nossos serviços de saúde e da base familiar existente. Infelizmente a banalização do ato sexual, a desinformação e a desestruturação de todo o sistema fez com que houvesse um colapso na vida sexual e reprodutiva de homens e mulheres, trazendo como consequências o aumento da disseminação das doenças sexualmente transmissíveis e a gravidez não desejada. Uma política eficaz de planejamento familiar, assim como o aconselhamento sobre o assunto, tanto pela parte familiar como na sociedade, seriam de grande valia para melhorar esta realidade.

Consequências psicológicas

As reações pós-aborto nas mulheres inicia-se, em geral, com um sentimento positivo de alívio, pois estavam sob pressão antes de realizá-lo. Porém, pouco depois, em geral, de acordo com algumas pesquisas, após a primeira semana já se manifestam reações negativas, como o sentimento de culpa, distúrbios psiquiátricos e no sono, muitas vezes com necessidade de uso de medicamentos psicotrópicos prescritos. 

Consequências físicas

As técnicas utilizadas para o abortamento são várias, com possibilidade de consequências desastrosas, e quando falamos do provocado clandestinamente estas são ainda mais graves, com grande risco de morte da mãe. Má higiene, técnicas erradas, risco de infecção, sangramentos, perdas de órgãos reprodutivos, perfurações de útero, entre outros, são alguns dos problemas que podem ocorrer.

Contudo, podemos evidenciar que o ato de abortar vai além de questões culturais e políticas, e que tentar consertar um ato impensado através da morte de um ser inocente não é a melhor opção, visto os danos e as marcas na vida dos seres envolvidos. Opte pela vida.


domingo, 30 de novembro de 2014

Parto normal ou cesariana: o que escolher?





A descoberta de uma gravidez envolve um misto de emoções e preocupações, desde o que se pode ou não pode fazer estando grávida, a decoração do quarto, o chá de bebê, e... O parto. Assustador para algumas mulheres, a ideia de ter um bebê envolve muitas dúvidas e medos, e o maior responsável por todo este estado de tensão que a futura mamãe sofre vem pela falta de informação, ou pelo excesso de opiniões erradas que se ouve de pessoas mais “experientes”. Enfim, todos querem ajudar neste momento, então vamos tentar esclarecer este dilema. Parto normal ou cesárea, o que será melhor para mim?

Estamos passando por um movimento em relação à forma de nascer que atinge diversas partes do mundo. Durante anos o parto foi visto como um procedimento médico, cheio de intervenções, incluindo anestesias, medicações, cortes, internação entre outros procedimentos hospitalares. O que se está discutindo é até que ponto esta forma hospitalar e intervencionista é necessária; assim, o parto está voltando a ser encarado como deve ser: um processo normal e fisiológico. Claro que existem situações de risco onde se fará uso de todo aparato para que o nascimento aconteça preservando a vida da mãe e do bebê; portanto a avaliação da gravidez por um profissional de saúde será de grande importância nesta escolha.

Cesariana

É um procedimento cirúrgico realizado para alívio de condições maternas ou fetais, quando há riscos para a mãe, o feto, ou ambos, durante o trabalho de parto e em algumas situações específicas. Quando realizado respeitando as necessidades dos envolvidos, ele é de grande importância na manutenção da vida e saúde da mãe e do feto. Para este procedimento há indicações absolutas e relativas, que vão depender da avaliação do profissional que estará fazendo seu acompanhamento. Em relação a isso, muitas vezes há indicações desnecessárias, como por exemplo, em situações de feto grande, cesáreas anteriores, circular de cordão, entre outras. Estas devem ser avaliadas, pois dependendo do grau do problema a realização da cesariana só aumentará os riscos no nascimento. Vale ressaltar que cirurgias cesarianas não são procedimentos isentos de complicações, tanto para a mãe, quanto para o bebê, por se tratar de uma cirurgia.

Como complicações deste procedimento podemos citar: 

· Para a mãe: hemorragias, infecções, embolia pulmonar e reações indesejáveis à anestesia. 

· Para o bebê: dificuldade respiratória e prematuridade provocada quando programada, por ser agendada para antes do tempo normal de nascimento.

· Para os dois: interfere no estabelecimento do vínculo e início da amamentação.

Segundo últimos dados da Agencia Nacional de Saúde Suplementar (ANS), dos mais de 2,9 milhões de partos que acontecem no Brasil, 521 mil são realizados na rede privada. Apesar de a incidência de cesariana ainda ser alta no Sistema Único de Saúde, que é de 40%, é na rede privada que a situação é mais crítica: 84,6%. A média do país é de 55,6%. A taxa de cesariana recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 15%. Estas altas taxas de cesariana, principalmente nos países em desenvolvimento, como o Brasil, são preocupantes, e é considerado um grave problema de saúde pública.

Algumas pesquisas mostram ainda que o conceito de que a principal causa do aumento da taxa de cesárea é o respeito ao desejo das mulheres, não tem sustentação na opinião declarada pelas mulheres. Uma melhor comunicação entre médicos e mulheres grávidas talvez possa contribuir para a melhoria da situação atual. O que se observa é que por muitos anos a cesariana tem sido incentivada pelos próprios profissionais médicos apenas pela conveniência de ser mais rápido, além do maior domínio da técnica da cirurgia cesariana em relação às dificuldades que podem aparecer num parto normal. Outro fator que vem ocorrendo é a pouca valorização da autonomia da mulher e da família na tomada de decisão sobre o parto.

A mulher e a família como foco de atenção

A assistência ao nascimento não deve ser voltada para satisfazer os interesses do serviço e da equipe, mas sim aos interesses da mulher e sua família. No momento de escolha de que forma seu filho irá nascer, a mulher tem sido desencorajada a escolher o parto normal. Há diversos medos e mitos acerca deste tema, como a dor, por exemplo. Outro fator é o preconceito, pois por muitos anos o parto normal foi visto como falta de escolha, e que só mulheres menos favorecidas financeiramente teriam esta experiência. Mas contrário a isto, há um movimento a favor desta prática, liderada por países desenvolvidos e pessoas influentes, que vem adquirindo conhecimento sobre os benefícios do parto natural e expondo suas experiências na mídia, desmistificando esta afirmação de que parto bom é o agendado e programado, respeitando assim a natureza e fisiologia que este momento merece. 

A mulher e a família devem receber apoio constante da equipe de saúde, e suas angústias e questionamentos devem ser esclarecidos com uma linguagem clara e acessível. Todos os procedimentos a serem realizados devem ser explicados e a mulher deve sentir que os mesmos são realmente necessários e que poderão contribuir para um bom resultado tanto para ela quanto para o seu bebê.

O parto normal – e natural

Neste, quando realizado de acordo com o que é estipulado pelo Ministério da Saúde, tudo começa pelo local do nascimento, que não pode ser um ambiente hostil, com rotinas rígidas; pode ser num hospital, casa de parto ou em casa, estes últimos se de baixo risco, sempre que ali se tenham os profissionais habilitados para o realizarem – enfermeiro obstetra ou cirurgião obstetra – entre outros profissionais que acompanharão todo o processo. A mulher terá o direito de expressar livremente seus sentimentos e necessidades. Ela deve se sentir segura e protegida, e ter a presença de uma pessoa ao seu lado, qualquer um que ela escolher, de acordo com a lei nº 11.108, de sete de abril de 2005, em que os serviços de saúde ficam obrigados a permitir a presença, junto à gestante, de um acompanhante durante todo o período de trabalho de parto, parto e pós-parto imediato. 

A mulher tem controle do seu corpo e será a protagonista deste momento. Será realizado com o mínimo de intervenções possíveis. Durante o trabalho de parto, a mulher é orientada em realizar as técnicas de alívio da dor, e ela tem a liberdade de se movimentar e encontrar as posições que lhe ajudem a ficar mais confortável.

Também se evita a separação mãe-filho por qualquer momento desde o nascimento até a alta, e é incentivada a amamentação na primeira hora de vida do bebê, assim, estimulando ainda mais este vínculo.

Contudo, o principal é que a escolha seja legítima, embasada em verdades e respeitando a autonomia da mulher e a necessidade do momento. O nascimento deve ser humanizado, que mesmo na necessidade de uma cirurgia cesariana deve ser respeitado, com tratamento digno para mãe, filho e toda a família, visando a saúde e bem estar de todos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Tenho uma anomalia uterina, o que fazer?



Bom, para entendermos melhor sobre o assunto, vou aqui explicar um pouco de como é o nosso útero.

Como ele é?



É um órgão do sistema reprodutor feminino, é oco e tem um formato de pêra invertida, em que a parte mais larga e superior chamamos de fundo de útero, que se conecta com as tubas uterinas na sua parte superior, e a parte inferior e mais estreita chamamos de colo uterino, que possui um pequeno orifício e se liga a vagina. Ele é formado por várias camadas, em que a parte de dentro é formada pelo endométrio que descama a cada ciclo menstrual, e essa é coberta pelo miométrio, que é a parte muscular. Além dessas temos mais duas camadas recobrindo o útero.

Quais são suas funções?

A sua principal função é receber o embrião, que irá se implantar no endométrio. Assim, o útero irá se preparar para manter as condições ideais para o desenvolvimento do feto até o nascimento. Também será essencial para a expulsão do feto, através de suas contrações.


Existem, porém, mulheres que tem o formato do útero diferente do explicado acima. Muitas vezes elas tem a alteração e não sabem. Vamos entender as principais anomalias uterinas.



Útero bicorno (útero com dois "chifres"): é o mais comum. Em vez de parecer uma pêra invertida, ele tem o formato de um coração, com uma separação no meio na parte de cima. O bebê fica com menos espaço para crescer do que no útero normal. 




Útero unicorno (útero com um "chifre"): O tecido que forma o útero não se desenvolve direito na mulher, e o órgão tem apenas metade do tamanho do normal. Além disso, só há uma tuba uterina, em vez de duas. Apesar disso, na maioria dos casos a mulher tem dois ovários.



Útero duplo ou didelfo: É quando o útero tem duas cavidades internas, sendo que cada uma delas pode levar a um colo do útero e a uma vagina. A mulher pode assim ter duas vaginas. 



Útero septado: a cavidade interna do útero é dividida por uma parede, chamada septo. O septo pode ir só até metade do caminho ou chegar até o colo do útero. 


Também ocorrem mudanças na posição do útero, que quando são pequenas não alteram a fertilidade e não causam nenhum incômodo. 

Entre as anomalias de posição, destacam-se a anteposição e a retroposição, quando o útero se encontra respectivamente mais à frente e mais atrás do que o normal.

Existem também as anomalias da inclinação do útero, em que as mais comuns são a anteversão e a retroversão, quando o eixo do útero se encontra deslocado para frente ou para trás em relação ao eixo da vagina.

Entre as anomalias da flexão do útero, as mais significativas são a anteflexão e a retroflexão, quando o corpo do útero se encontra curvado para frente e para trás, respectivamente, em relação ao colo uterino.



Quais são as causas dessas anomalias?

Pode ter origem congênita como também provocadas por rupturas no momento do parto, traumatismos e infecções.

O que posso ter como consequências?

Mulheres que apresentem alguma dessas anomalias em geral podem não ter sinais ou sintomas. Em outros casos podem apresentar dores em baixo ventre, nas costas, durante as relações sexuais e um maior desconforto no período menstrual. 

Posso ficar infértil?

Em geral a mulher não fica infértil, porém, dependendo da anomalia ela pode apresentar uma dificuldade maior para engravidar, pois há casos em que se há só uma trompa, e como outras em que há um espaço menor para o desenvolvimento do feto.

O importante é manter um acompanhamento ginecológico para se detectar essas alterações antes de uma gravidez. Existem intervenções que podem fazer a mulher ter mais facilidade para engravidar, como tratamentos hormonais, assim como intervenções cirúrgicas, que facilitarão não só a fertilidade como fará a mulher manter uma gestação sem problemas. E em muitos casos, não há necessidade de intervenção alguma, somente um acompanhamento cuidadoso durante o pré-natal.


Portanto, sempre que sentir algo diferente, alguma dor ou sangramento fora do normal, procure seu ginecologista para detectar o que há de errado e tratar da forma correta, evitando futuros transtornos a sua saúde sexual e reprodutiva.